18 de setembro de 2012 às 10h34

Roda o VT: No ar, o futuro da televisão

da Redação
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Reprodução Reprodução
Na última segunda (17), aconteceu um debate entre os candidatos a prefeito de São Paulo, transmitido pela TV Cultura, pela Rádio Estadão ESPN e... pelo YouTube! 
 
Interessante notar que o debate é organizado em parceria entre um grupo de mídia integrado por um jornal impresso e uma rádio (grupo Estado) e por um site, além da estação de televisão.
 
Os jornais há muito vivem sob as ameaças nebulosas de desaparecerem, com o crescimento dos portais de notícias na internet. Como resposta, apostam em mídias alternativas, inclusive na televisão. A Folha de S. Paulo apresenta há alguns meses o programa "TV Folha" aos domingos, na mesma TV Cultura.
 
E o envolvimento do YouTube vem provar que a internet se consolidou definitivamente como um veículo de informação e entretenimento que deve ser levado a sério. Não é um brinquedo, nem um passatempo. O YouTube levantou a discussão dos direitos autorais no século XXI e obrigou as gravadoras e produtoras a reverem suas posições. Seu repositório de vídeos é um vasto arquivo, gratuito e paralelo com os serviços "on demand" que hoje já são uma realidade, como o Now, o Netflix, a AppleTV e outras, que funcionam como locadoras virtuais.
 
O YouTube tem, ainda, apresentado atrações ao vivo. Mas, pelo menos no Brasil, esse conteúdo se restringia a shows, espetáculos e atividades esportivas. Hoje, no entanto, entra numa nova fase, transmitindo ao vivo um debate político, dentro da corrida eleitoral da maior cidade do país.
 
O que isso significa? Na prática, não muito. O debate vem sendo visto por cerca de 5 mil pessoas simultaneamente, número bem abaixo de outras transmissões de webTVs e até mesmo de Twitcams de celebridades. Na TV, a média é de 1 ponto no Ibope, na Cultura. A Rádio Estadão ESPN não é das líderes de audiência da cidade. A campanha em São Paulo vem atraindo muito pouco interesse e nenhum dos debates até o momento realizados (Band e RedeTV) chamou atenção ou mudou qualquer resultado nas pesquisas de opinião de voto.
 
Mas traz prestígio, credibilidade ao YouTube. Está associado a veículos de renome e relevância. Mostra que o novo caminho, a tendência para o futuro é a internet cada vez mais disputar com a televisão o público telespectador.
 
Com os serviços "on demand" e ao vivo, as diferenças entre a TV da internet e a TV convencional diminuem. Inevitavelmente, as duas se fundirão. Surgirão novos formatos, novos canais, alguns desaparecerão. O Estado vai precisar rever as regras de concessão pública, pois elas começarão a não fazer mais sentido.
 
É o que me parece que vai acontecer. Testemunharemos tudo isso. Ao vivo.
 
 
Hamilton Kenji é titular dos blogs obaudosilvio.blogspot.com, letrasdotrem.blogspot.com e transcendentes.blogspot.com
 
 
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